Corpo docente

Rosana Kohl Bines

Professora Adjunta do Departamento de Letras

Linhas de Pesquisa

 

Projetos de Pesquisa

 

         Chamar a infância: Jogos, brinquedos e outras operações lúdicas na literatura e nas artes: Este projeto desdobra e reorienta a investigação em curso sobre a força especulativa e artística das línguas da infância. Nessa segunda etapa da pesquisa, toma-se o jogo como língua franca da infância          e exploram-se os modos de sua ativação e ressurgência em práticas literárias e artísticas que                    envolvem o brincar e os brinquedos como dispositivos de criação. O que pode advir quando pensadores, escritores e artistas frequentam o quarto de brinquedos? Tal pergunta almeja articular                práticas estéticas e práticas políticas para pensar como o ímpeto lúdico pode vir a ensejar novos modos de                enunciar, configurar, sentir e partilhar experiências sensíveis, a partir da invenção de zonas de vizinhança entre adultos e crianças. O estudo privilegia interlocuções com o pensamento            de Walter Benjamin sobre a potência dos cruzamentos intempestivos com os gestos lúdicos da infância, considerados            como pivôs, muitas vezes violentos, de movimentos e aberturas para novos agenciamentos coletivos. A noção de devir-criança e seus desdobramentos nas obras de Deleuze e              Guattarri também é um operador teórico caro à discussão de práticas escriturais e artísticas que venham a propor formas de              subjetivação avessas a demarcações etárias. Nesse cenário especulativo, o baú de brinquedos da infância é pensado como caixa de ferramentas e também "máquina de          guerra" contra constrangimentos que cerceiem a circulação desimpedida de trajetos criadores. Dos parques infantis criados por Mario          de Andrade em São Paulo na década de 30 aos  Playgrounds, concebidos para o vão livre do MASP por Lina Bo Bardi (1968), Nelson Leirner (1969) e mais                      recentemente Ernesto Neto (2016), com obras participativas de interação entre crianças e adultos; dos desenhos experimentais do artista norte-              americano Dennis Oppenheim em parceria com seu filho (Two Stage Transfer Drawing, 1971) ao dicionário compilado pelo colombiano Javier                    Naranjo, contendo verbetes de crianças para palavras do cotidiano (Casa das estrelas, 2013); das narrativas radiofônicas de Walter Benjamin dirigidas a crianças          e jovens (1929-1932) ao projeto "Les Petites conférences", em que renomados filósofos como George Didi-Huberman interagem com            os pequenos (Quelle émotion! Quelle émotion?, 2013); do Jogo de Varetas narrativo e afiado do escritor Manoel Ricardo de Lima (2012) aos poemas que Julia Studart              escreve "com a mão desaprendida" em Logomaquia (2015), esta pesquisa se interessa em levantar e articular uma gama                  deliberadamente eclética de objetos singulares - obras teóricas, artísticas e literárias - cujos enredamentos com práticas lúdicas ligadas à infância abrem mundos permeáveis ao                entrelaçamento das gerações, instaurando uma política de alianças e trânsitos intersubjetivos que convidam a uma          reflexão mais acurada. 

  • Literatura e morte nas línguas da infância:  Investigam-se repertórios teóricos e literários investidos na imaginação de uma "língua da infância" e avalia-se a produtividade deste tropo para descrever práticas de escritas extremas, que exploram regiões liminares entre mudez e eclosão da fala no empenho de formalizar discursivamente a experiência da morte em contextos violentos. A partir do exame de amostras de escritas das experiências dos campos de concentração nazistas e das guerras nos países africanos, narradas por personagens crianças, explora-se o potencial da voz enunciativa da infância, na perspectiva etimológica do infans (aquele que é sem fala). Elucidam-se dispositivos formais de interrupção do fluxo verbal, como as cesuras, as pausas, os ritmos sincopados, o nonsense, as dicções menores, as marcas de impessoalidade, dentre outras formas de encenar a desaparição - do sentido, do sujeito, do referente. A hipótese central da pesquisa é a de que as línguas da infância colaboram expressivamente para dizer experiências radicais de extinção da vida e supressão da voz humana, de que decorre sua vigência também como operador conceitual para nomear linhas de força decisivas da escrita inventiva na contemporaneidade, vinculadas a procedimentos de dissolução de formas e de valorização de estados de precariedade, impermanência e incompletude. Neste sentido, em paralelo ao exame de amostras literárias, rastreiam-se também evocações da língua da infância em amostras do pensamento filosófico, visando observar o alcance crítico de certas concepções de literatura como prática de revitalização da infância na língua, como abertura para uma infância do dizer (201CONCLUIDO

 

Cursos

  • LET 2509 - Imaginação e Experiência da Literatura
  • LET2514 A escrita da história e memória

 

Publicações Recentes

 

Orientações em Andamento // Teses de Doutorado

  • Miguel Bezzi Conde, Tempo presente: experiências narrativas na literatura brasileira dos anos 1970. Início: 2013
  • Aline Leal Fernandes Barbosa. Georges Bataille e Hilda Hilst: entre o possível e o impossível. Início: 2013 
  • Sofia Baptista Karam. Os corpos e a vida: investigações e experimentos de composição literária acerca dos enlaces entre doenças do corpo, escrita e pensamento. Início: 2014

 

Orientações Concluídas // Teses de Doutorado

  • Simone Greco do Espírito Santo. Narrativas ondulantes: a enunciação ficcional como espaço teórico. Conclusão: 2013
  • Chiara de Oliveira Carvalho Casagrande Ciodarot Di Axox. Solve et Coagula - dissolvendo Guimarães Rosa e recompondo-o pela ciência e espiritualidade. Conclusão: 2013
  • Antoneli de Farias Matos. Clarice Lispector com crianças ou ficções da infância. Conclusão: 2016

 

Orientações Concluídas // Dissertações de Mestrado

  • Miguel Bezzi Conde. Vozes e caricaturas: ensaios sobre literatura brasileira. 2010
  • Giselly dos Santos Peregrino. A educação pela infância em Manoel de Barros. 2010
  • Renata Gabriel Nakano. Livro ilustrado: definições, leitores, autores.Conclusão: 2012
  • Natalie Souza de Araujo Lima. Em meio às vísceras: Ensaios sobre leitura em dois romances de Roberto Bolaño. Conclusão: 2013
  • Vera Lucia da Silva. Leitura e interculturalidade em uma escola Pataxó no Prado - BA. Conclusão: 2014
  • Maria de Lourdes Souza. Do Córrego ao Rio, o percurso de quem lê e escreve no chão de sua terra a própria história e a de sua gente. Conclusão; 2014
  • Alessandra Gomes da Silva. Práticas de leitura literária e hibridismo cultural com alunos surdos. Conclusão: 2016
  • Lívia de Sá Baião. A trama e a urdidura em Grande sertão: veredas - Benjamin relampeja no sertão rosiano. Conclusão: 2016
  • Ana Cristina Bartolo. Como um relâmpago: uma abordagem do conceito de imagem dialética a partir de Walter Benjamin. Conclusão: 2016
  • Letícia Fernandes Pires. A infância no audiovisual: um estudo sobre a criança em cena. Conclusão: 2016

Iniciação Científica

  • Rebeca Leite Fuks. Literatura e violência: o universo da infância. Início: 2009
  • Akemi Aoki. Literatura e violência: o universo da infância. Início: 2010
  • Mariana Pires e Albuquerque Caldas. Infância e sacrifício: figurações literárias. Início: 2012
  • Isadora Schwenck Correa de Brito. Literatura e morte nas línguas da infância. Início: 2014

 

Campos de Interesse

Invocações da infância em teorias e práticas artísticas contemporâneas; o livro infantil e juvenil no campo expandido da literatura e das artes; dimensões estéticas e políticas em escritas de experiências-limite.

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