Pós-Graduação PPGLCC

Projetos de Pesquisa

Linha de pesquisa 1: Desafios do Contemporâneo: teorias e crítica

 

A prosa contemporânea brasileira e a intervenção de sua crítica 
Prof. Karl Erik Schollhammer

A pesquisa proposta é um desdobramento direto dos últimos projetos desenvolvidos com a finalidade de analisar e entender melhor a dinâmica atual da produção literária brasileira. Durante os últimos períodos da pesquisa o objetivo tem sido mapear as tendências principais da prosa contemporânea e num segundo momento aprofundar a compreensão de sua profunda preferencia pelo realismo e sua tradição, mesmo conciliada com um certo experimentalismo modernista. Minha proposta para o presente momento da pesquisa é investigar o papel da própria crítica literária no reconhecimento e elaboração deste campo de investigação. Procuraremos seguir os caminhos da canonização crítica e desvendar a cumplicidade entre a criação e seu reconhecimento do qual a própria pesquisa se entende como parte. Nesse sentido há um cerne ético e também político na pesquisa proposta que propõe discutir o papel da crítica literária na academia, na imprensa, na educação e na intervenção social. O papel contemporâneo da literatura não pode ser entendido sem a compreensão de sua complexa inserção institucional garantida e promovida pela atividade crítica. Assim, a pesquisa não abandonará seu fundamento na prosa brasileira das últimas duas décadas, muito pelo contrário, mas vai considerar ativamente o espelhamento de reconhecimento mútuo entre criação, crítica e teoria a partir da década de 60 quando a discussão da literatura contemporânea ganha corpo nos estudos da literatura brasileira.

 

Repertórios teóricos e prática crítica hoje 
Profª Heidrun Krieger Olinto e Prof. Karl Erik Schollhammer

O projeto objetiva refletir criticamente sobre as formas de produzir conhecimento nos Estudos de Literatura e Cultura promovendo o diálogo com os campos da filosofia, antropologia, história, sociologia, teologia e da comunicação midiática, de forma a permitir novas articulações entre expressões e experiências estéticas e vivências no mundo contemporâneo.

 

As bases interdisciplinares do pensamento hermenêutico
Profª Eliana Yunes

O jogo que se dá entre as multidisciplinaridades das áreas da hermenêutica (Filosofia e Teologia) e da interpretação (Psicanálise, Teoria Literária, Antropologia, linguística) encontra no espaço da leitura seu lugar de entrelaçamento teórico capaz de produzir uma interdisciplinaridade com relação à emergência de sentido no tocante a realidade. Dessa forma considera-se a leitura como a circunferência vital onde a pergunta pelo sentido engendra várias possibilidades que ao longo da história vão se constituindo em disciplinas e, à medida que ocorre uma maior complexificação, se tornam campos disciplinares. Se vistas de forma estanque, disciplinaridade e interdisciplinaridade percorrem caminhos teóricos próprios, constituindo epistemologias distintas sobre a questão do sentido. Contudo, se percebidos a partir do espaço da leitura como gênese comum a ambos, pode-se afirmar uma epistême própria que recolha das diversas ramificações os fios a serem entrelaçados. Para tanto se propõe um levantamento histórico disciplinar de autores e textos que discutem o sentido nas áreas da Filosofia, Teologia, Psicanálise, Teoria literária, Antropologia e Linguística. Tal levantamento se dará aproximando em perspectiva multidisciplinar tais disciplinas; nesse sentido, ao falar de hermenêutica fala-se de Filosofia e Teologia e, ao falar de interpretação, fala-se de Psicanálise, Teoria Literária, Antropologia, linguística.

 

Os textos fundamentais de teoria da leitura
Profª Eliana Yunes

A falta de um volume que reúna os textos fundamentais sobre teorias da leitura, envolvendo o pensamento filosófico e teológico numa primeira fase e logo, reflexões advindas de outras áreas como Literatura, Antropologia Psicanálise, sobretudo, motivaram o levantamento sistemático de autores e obras que puderam contribuir para criar uma concepção contemporânea do ato de ler, incluindo além de autores e textos a figura do receptor, o leitor. Com um procedimento rastreador primeiro e logo seletor de textos, pretende-se reunir capítulos de estudos que nos seu conjunto possa contribuir, ainda que não exaustivamente para novos pesquisadores do tema avançarem numa história da interpretação.

 

Literatura e morte nas línguas da infância
Profª Rosana Kohl Bines

Investigam-se repertórios teóricos e literários investidos na imaginação de uma "língua da infância" e avalia-se a produtividade deste tropo para descrever práticas de escritas extremas, que exploram regiões liminares entre mudez e eclosão da fala no empenho de formalizar discursivamente a experiência da morte em contextos violentos. A hipótese central da pesquisa é a de que as línguas da infância colaboram expressivamente para dizer experiências radicais de extinção da vida e supressão da voz humana, de que decorre sua vigência também como operador conceitual para nomear linhas de força decisivas da escrita inventiva na contemporaneidade, vinculadas a procedimentos de dissolução de formas e de valorização de estados de precariedade, impermanência e incompletude. Neste sentido, em paralelo ao exame de amostras literárias, rastreiam-se também evocações da língua da infância em amostras do pensamento filosófico, visando observar o alcance crítico de certas concepções de literatura como prática de revitalização da infância na língua, como abertura para uma infância do dizer.

 

Ficção e cotidiano: regimes de visibilidade na literatura e no cinema brasileiros contemporâneos
Profª Vera Lucia Follain de Figueiredo

Pretende-se analisar a configuração do jogo de intercâmbios entre o mundo da arte e da não arte, que estaria em curso na ficção das duas últimas décadas, à luz do vazio deixado pela ausência da dimensão do projeto e pela denegação da temporalidade histórica.

 

Mística e testemunho: um estudo sobre conhecimento, linguagem e práxis na mística contemporânea 
Profª Maria Clara Lucchetti Bingemer

A presente proposta pretende, portanto, seguir este mesmo eixo fundamental até agora pesquisado, - o da Mística cristã na contemporaneidade - tomando para isso outro conceito como perspectiva de estudo: o testemunho. Partimos da hipótese - constatada no projeto anterior de pesquisa - que uma característica constitutiva da mística cristã na contemporaneidade é sua indissolúvel conexão com a ética. Os escritos dos místicos estudados só fizeram comprovar ainda mais esta hipótese. A interpelação fundamental da ética, portanto, faz emergir da experiência mística contemporânea, que se viu caracterizada na etapa anterior como desinstitucionalizada e mesmo até destradicionalizada, encontrando seu caminho em meio à secularidade uma necessidade urgente de verbalizar-se, visibilizar-se e incidir na realidade, na polis. Para isso, agrega ao conceito central da etapa anterior da pesquisa - o conceito de mística - outro que pela importância deverá enriquecer e ampliar o espectro dos terrenos explorados: o de testemunho.

 

Imaginação teórica nos estudos literários e na prática teatral contemporânea: acentos performativos 
Profª Mariana Maia Simoni e Profª Heidrun Krieger Olinto

O projeto pretende vincular a investigação científica de um repertório teórico e estético inovador, no campo dos estudos literários e teatrais, com atividades de ensino na Graduação e na Pós-Graduação do Departamento de Letras da PUC-Rio. Teorias literárias atuais pautam-se pelo diálogo com campos disciplinares como psicologia, sociologia, história e antropologia problematizando, entre outras, noções de texto, expressão e interpretação a partir de uma reflexão inovadora acerca dos processos interativos baseados na articulação recíproca entre teoria e prática. Além disso, estimulam novos questionamentos a partir da ampliação de abordagens semióticas em direção a perspectivas pragmáticas relacionadas ao texto e com acento sobre uma nova vinculação entre teoria e prática. No âmbito da pesquisa, o projeto busca, assim, avaliar o potencial explicativo e crítico de certos repertórios teóricos contemporâneos desenvolvidos no espaço dos estudos literários, em vista de uma articulação proveitosa com a esfera do teatro contemporâneo, aliando formas de sua teorização com determinadas práticas de encenação realizadas no Rio de Janeiro e suas relações com a produção teatral internacional. No âmbito do ensino a partir da elaboração de módulos a serem ministrados essas investigações serão aproveitadas para elaborar novos métodos, formas e conteúdos na construção de conhecimento em nível de Graduação e estimular reflexões criativas contribuindo para a consolidação do novo Programa de Pós-Graduação Literatura, Cultura e Contemporaneidade.

 

Juízo, crítica e curadoria: deslocamentos da arte na era dos museus.
Prof. Luiz Camillo Osório

A cada dia surge um museu novo no planeta. As feiras de arte e bienais multiplicam-se por toda parte. Em um mundo assolado por uma crise financeira global, a arte se mostra um ativo com taxas de retorno exorbitantes. Será que a arte resiste a esta captura sistemática, mantendo alguma potência estética e insubmissão política? Será que ela ainda é capaz de produzir “ideias estéticas”? Será que ela resiste minimamente aos parâmetros absolutos do mercado? Ainda faz sentido discutirmos ou defendermos alguma autonomia para a arte e a experiência estética? O que pode a arte? As relações entre estética e política acompanharam a história da arte moderna, seja pelas dificuldades relacionadas ao ajuizamento das obras, seja pela recusa recorrente, por parte da arte, às formas de visibilidade e sociabilidade vigentes. Nosso objetivo será de analisar as condições do ajuizamento, da crítica e seus desdobramentos curatoriais em uma época na qual a arte está inserida irreversivelmente nos museus – mesmo quando atuam fora de seus muros – e estes parecem a serviço da lógica espetacular, do consumo desenfreado e da indústria cultural e do turismo. Como resistir a esta captura e dar à arte alguma liberdade experimental? Como articular arte com uma educação estética e política no interior dos museus?

 

Imagem e História no Pensamento Contemporâneo.
Profª Patricia Lavelle

Embora o mundo contemporâneo esteja saturado de imagens e sua relação com o passado passe indubitavelmente por elas, o próprio conceito de imagem é desses que se prestam à confusão. Segundo Paul Ricœur, o termo recobre tradicionalmente quatro grandes campos de fenômenos: a evocação mental de coisas ausentes, existentes em outro lugar ou momento, sem que haja confusão destas com algo presente; mas também retratos, quadros, desenhos, etc., isto é objetos dotados de existência física que tem como função substituir aquilo que representam; a palavra designa ainda o vasto e complexo campo das ficções que, seja em sonhos ou criações literárias, falam de coisas não existentes em outro lugar ou momento; finalmente pode se identificar às ilusões, que implicam a confusão entre uma representação e seu objeto. Assim, a questão da imagem encerra um feixe de problemas. Pensá-la rigorosamente significa abrir um leque de questionamentos teóricos que, atravessando o vasto campo dos estudos literários, chega inevitavelmente ao problema da história. E isto não ocorre apenas porque as imagens – sejam elas mentais ou físicas, ficcionais ou ilusórias – tem uma história e são historicamente condicionadas, mas também porque a historicidade da experiência brota em sua plurivocidade. No âmbito desta pesquisa, examinaremos esta historicidade intrínseca à imagem, interrogando-a partir da linguagem literária. Nos referiremos ao pensamento alegórico de Walter Benjamin, assim como a teorias contemporâneas da metáfora, da narrativa e de outras formas de simbolização discursiva (Blumenberg, Ricœur).  

 


Linha de pesquisa 2: Novos cenários da escrita

 

Sobrevivências do popular local e da vanguarda em escritas brasileiras contemporâneas
Profª Marília Rothier Cardoso

Três questões decisivas são levantadas pela produção literária das últimas décadas: o caráter "expandido" das escritas, a potência dos meios artísticos (perceptivo-afetivos) de produzir pensamento e a multiplicidade de tempos heterogêneos. Para dar conta dessas questões propõe-se um experimento analítico-avaliador a ser desenvolvido a partir de arquivos temporários para leitura da escrita-objeto em contraponto a resíduos de escritas sobreviventes de passados diversos. Visando contribuir para a revisão dos fundamentos teórico-metodológicos da crítica, procura-se conjugar uma gama de conceitos operatórios -- propositalmente desviantes da tradição epistemológica hegemônica -- cunhados e empregados no âmbito de perspectivas investigativas diferentes e suplementares de pensadores como Warburg, Benjamin, Agamben, Foucault, Deleuze, Derrida, Viveiros de Castro, Didi-Huberman. Os experimentos serão realizados com amostras recolhidas da produção brasileira recente 

 

Genealogias do corpo 
Profª Ana Paula Veiga Kiffer

A investigação quer analisar contrastivamente noções de corpo esboçadas através de manifestações artístico e literárias dos anos sessenta e setenta e outras mais recentes, dos anos noventa até hoje. Desse modo busca-se empreender um contraste histórico e conceitual que desenhe e pense genealogias do corpo, não exaustivas, porém capazes de abrirem um corpus reflexivo acerca das relações entre as noções de corpo, afeto, escrita, força e forma, e como as mesmas transformaram o cenário artístico e cultural dos sessenta ao contemporâneo. Para tanto, alguns tópicos orientarão o mapeamento e a delimitação do corpus a ser trabalhado: a noção de escrita como motor expansivo do campo literário (textual); a relação entre escrita e corpo em diferentes manifestações artísticas; tensões entre força e forma como lócus de passagem entre domínios artísticos heterogêneos e tensões entre o público e o privado, vistas sobre o prisma da noção de afeto.

 

Poéticas da Canção
Prof. Julio César Valladão Diniz

Este projeto tem como objetivos a análise das vinculações entre literatura e música no espaço de reflexão dos estudos contemporâneos de cultura; a problematização das relações, apropriações e traduções da tradição literária a partir de novas configurações textuais e culturais; e a discussão da presença da música popular no debate cultural brasileiro e sua inserção no contexto das relações sociais e políticas da história recente do Brasil.

 

O verso na poesia brasileira moderna
Prof. Paulo Fernando Henriques Britto

Estudo das diferentes maneiras como o verso vem sendo trabalhado pelos poetas brasileiros a partir do modernismo até o momento presente, com ênfase em duas questões específicas: a multiplicidade de formas compreendias sob a rubrica verso livre e as formas praticadas pelos representantes dos movimentos de vanguarda, propostas como alternativas ao verso.

 

A Linguagem como forma de vida e o perspectivismo 
Profª Helena Franco Martins

Este projeto investiga uma famosamente elusiva e difícil noção wittgensteiniana: forma de vida (Lebensform). Reconhece nela o índice possível de uma manifestação singular de perspectivismo no pensamento do filósofo. Ambiciona contribuir para a compreensão e potenciação dessa singularidade, construindo uma reflexão que exponha a noção wittgensteiniana de linguagem como forma de vida à atmosfera de outros pensamentos perspectivistas. Buscará fazê-lo não apenas no interior do campo da filosofia matriz do próprio termo perspectivismo, mas também no âmbito de importantes reverberações ou apropriações contemporâneas que têm lugar em outras áreas, notadamente na antropologia e nos estudos da linguagem e da literatura.

 

Contracultura e experimentalismo no Brasil: rupturas, releituras e permanências
Prof. Frederico Oliveira Coelho

Este projeto tem como premissa fundamental propor uma releitura crítica completa do tema que historicamente se configurou chamar de “contracultura brasileira”. Um alerta em tal tipo de empreitada, é a definição clara deste termo. Ao trabalhar com o tema da cultura marginal e de outros movimentos culturais brasileiros dos anos 1960/1970, sempre tivemos como meta teórica encontrar uma forma de abordagem que consiga dar conta de um objeto que reúna de forma produtiva um amplo sistema artístico e uma categoria estético-teórica específica. Afinal, “contracultura” tanto pode ser um estilo de vida quanto uma forma de classificar uma obra ou carreira artística. No nosso caso particular, o tema da contracultura será um ponto de partida para uma reflexão mais ampla do que atualmente se espera dele. O intuito é, após a pesquisa, termos uma nova forma de pensarmos as obras e os artistas que estão, de forma muitas vezes estáticas, atreladas ao termo “contracultura”. A proposta é adensarmos o termo em suas especificidades brasileiras e internacionais para, contraditoriamente, esvaziar suas atuais representações, visando o redimensionamento radical de seus debates.

 

Coletivos de Cultura – Uma experiência de Políticas do Comum na Cidade do Rio de Janeiro
Prof. Miguel Jost Ramos e Prof. Julio Diniz

A pesquisa de pós-doutorado “Coletivos de Cultura – Uma experiência de Políticas do Comum na Cidade do Rio de Janeiro” é uma investigação sobre a constituição de uma série de coletivos de artistas nas últimas duas décadas no Rio de Janeiro. O trabalho procura analisar e debater a capacidade de intervenção destes coletivos na cidade, e como sua ação tem reformulado determinados parâmetros da produção cultural a partir de um novo modelo de cooperação, de organização e de práticas políticas de proximidade. Como força motriz dessa experiência, a pesquisa destaca ações destes coletivos que desestabilizaram formas convencionais de relação com o mercado, a sociedade, o campo acadêmico e outras instituições de perfil sedimentado e definido. O interesse do trabalho gira em torno de coletivos de diferentes naturezas, e independe de um campo de atuação específico. Coletivos de escritores, artistas visuais, músicos, de profissionais das artes cênicas, ou mesmo coletivos compostos por uma sobreposição destas linguagens, fazem parte do campo que a pesquisa pretende mapear e debater.


Linha de pesquisa 3: Literatura, cultura e política em espaços lusófonos

Realismo, Realismos - debates em torno de uma política de ficção
Profª Izabel Margato

O projeto tem como principal objetivo a retomada, ampliação e o aprofundamento da pesquisa desenvolvida em projetos anteriores sobre as diferentes propostas de Arte Realista. A delimitação mais precisa da proposta divide-se em três eixos: o primeiro volta-se para a ampliação do trabalho em torno da produção dos escritores neorrealistas, não só dando continuidade ao levantamento e análise de textos publicados em jornais e revistas de difícil acesso, mas agora incluindo a leitura da documentação que compõe os espólios de seus principais escritores; o segundo eixo amplia-se com a análise dos diferentes recortes programáticos, de formulações teóricas e criticas, que definem as diversas fisionomias do projeto realista para a produção literária e cultural no século XX. Além disso, buscar-se-á analisar nessa segunda vertente a controvérsia desencadeada entre o realismo e as artes de vanguarda focalizando, nomeadamente, o debate em torno da importância das artes para a prática de uma ação política e revolucionária; o terceiro eixo buscará dar seguimento ao tratamento da documentação estudada para a implementação do Banco de Dados que permitirá reunir e catalogar uma vasta e diversificada documentação para ser disponibilizada à comunidade científica e ao público em geral.

 

O Neo-realismo português: acervo e documentação 
Profª Izabel Margato

O projeto tem como principal objetivo ampliar e aprofundar o trabalho de levantamento, análise e tratamento do acervo documental, publicado em periódicos por escritores neo-realistas portugueses e pelos seus sucessores, no período que engloba o final dos anos 30 até a década de 60. O problema central a ser abordado divide-se em dois blocos: o primeiro bloco volta-se para a pesquisa em torno da produção dos escritores neo-realistas. O grupo de artistas e intelectuais que se reuniu sob o nome de Neo-Realistas foi responsável por uma ampla e diversificada produção - artística, filosófica e de intervenção - que, aliada à ação mais direta de conscientização, junto a operários, camponeses e outras forças de trabalho, produziu um movimento gradativo no sentido da formação de uma frente cultural antifascista. Com matriz marcadamente interventiva, as obras produzidas nesse período - embora desiguais - delineiam uma nova fisionomia às artes realistas. No segundo bloco, trataremos e analisaremos os textos que ajustam, polemizam e redefinem o projeto neo-realista. Muitos dos autores que identificamos como pertencentes à segunda fase do Neo-Realismo gradativamente e na especificidade de cada aposta individual, vão dar nova forma e novo entendimento à Arte realista. Uma vasta documentação ainda não sistematizada permanece sob a guarda de arquivos portugueses, exigindo os processos de recolha, seleção e categorização, a serem desenvolvidos no âmbito das Pesquisas em Literatura e Cultura Portuguesa, da Cátedra Padre António Vieira, da PUC-Rio.

 

João do Rio e as representações da cidade III: o artista, o repórter e o artifício 
Prof. Renato Cordeiro Gomes

Retomada dos projetos anteriores, para dar continuidade ao trabalho de resgate e estudo da produção de João do Rio, agora acrescentando a investigação dos contos e seu confronto com a produção de Jean Lorrain, leitura recorrente de Paulo Barreto, pelo seu viés do dandismo e do Decadentismo.

Minimizada até relativamente pouco tempo, a obra de João do Rio vem ganhando atenção nos últimos 20 anos, depois do declínio das narrativas de ruptura. Grande parte dessa obra ainda não foi resgatada dos jornais e revistas. Este projeto procura resgatá-la, editá-la e estudá-la. Como profissional de imprensa, João do Rio trabalha numa simbiose de documental e ficcional, com a consciência do dilema do artista na modernidade frente à sua autonomia/individualidade e ao mercado. Realiza as tensões entre o jornalista e o artista, que lança mão do artifício, para representar-se na sociedade e escrever "o reflexo tumultuário da transformações da vida do Rio de Janeiro". Por esse viés, traça seu projeto mais ousado: a formulação de uma psicologia urbana, que fecunda o imaginário carioca, à medida que enfrenta a problemática legibilidade da cidade que se modernizava. Objetiva-se resgatar, em fontes primárias (Gazeta de Notícias, O Paiz, Kosmos, Ilustração Brazileira, entre outras) na Biblioteca Nacional, parte da produção de João do Rio, recuperando os títulos originais das colunas e séries, verificando as implicações na produção de sentido a mudança de suporte material (do jornal e revistas para o livro) e estudando aí as representações do Rio de Janeiro. Nesta nova fase, o corpus amplia-se com o estudo dos contos, os reunidos em livros e os que só foram publicados apenas em periódicos.

 

Representações da cidade na literatura e na cultura midiática 
Prof. Renato Cordeiro Gomes

Estudo e análise das formas de representação da cidade e suas relações com o universo mais amplo da cultura, privilegiando-se a abordagem transversal do espaço lusófono e das vertentes nacionais ou transnacionais, em suas continuidades e descontinuidades. Nesta perspectiva, enfatizam-se as relações entre estética e política, cultura e poder e as figurações identitárias, visando a investigar, numa bibliografia transdisciplinar, um quadro teórico que permita ler as imagens e representações da cidade em textos midiáticos e poéticos, narrativos e referenciais das Literaturas Brasileira e Portuguesa dos séculos XIX e XX, e, numa ótica comparatista, estabelecer relações com textos de outras literaturas e da cultura midiática. O foco das investigações, deste modo, direciona-se à questão da legibilidade da cidade moderna e pós-moderna e suas representações verbais e audiovisuais.

 

África: outros modos de usar
Profª Eneida Leal Cunha

A investigação tem como alvo a leitura contrastiva de imagens visuais relativas à África e à africanidade coletadas em superfícies e linguagens diversas. Trata-se de um desdobramento do projeto anterior (Áfricas) operado por expansão e deslocamento, primeiro, porque ultrapassará o âmbito literário e lusófono, para abarcar a África e o vasto espaço geopolítico e histórico-cultural da diáspora negra; segundo porque, sem descartar as imagens visivas produzidas pela linguagem verbal, privilegiam-se as imagens visuais da africanidade ou de extração africana e afrodiaspórica, produzidas em temporalidades, espaços continentais, superfícies e domínios diversos, seja como dispositivos de conhecimento e controle, a exemplo da fotografia colonial, seja como suportes das visões da África veiculadas pelos media atuais, seja como contra imagens e estratégias de empoderamento de populações subalternizadas, sejam elas produzidas pelos múltiplos experimentos artístico-visuais contemporâneos que circulam globalmente. A diversidade de linguagens e objetos plausíveis para a pesquisa tem como contrapartida organizadora os três eixos de interesse da investigação, que devem constituir os recortes ou os conjuntos a serem lidos: a força disruptora de imagens produzidas contemporaneamente em confronto com o poder instituinte das imagens na construção, pelo ou no Ocidente, da exterioridade e da inferioridade africanas; a concreção imagética de uma memória ancestral africana enquanto discurso identitário e suas potencialidades tanto libertadoras quanto constritoras; os usos alternativos de arquivos da africanidade e da colonialidade em imagens visuais (ou visivas) produzidas contemporaneamente e sua potência desconstrutora. Para desenvolvimento do projeto far-se-á, em paralelo, um investimento teórico e reflexivo, subsidiado por autores como Friedrich Nietzsche, Walter Benjamin, Michel Foucault, Gilles Deleuze e George Didi-Huberman, entre outros, acerca de estratégias potencializadoras de legibilidade das imagem visuais, que façam emergir percepções alternativas ou reversivas acerca da história e do presente das áfricas contempladas, e principalmente, de um aparato conceitual capaz de dar conta da eficácia e da dissonância de imagens contemporâneas que se inscrevem em outros usos ou outras experiências da africanidade.

 

Comunidade e imunidade: o campo cultural, a ficção e a política nos espaços da língua portuguesa
Prof. Alexandre Montaury

O projeto Comunidade e Imunidade: o campo cultural, a ficção e a política nos espaços da língua portuguesa pretende sistematizar um quadro de relações literárias e culturais formadas entre artistas e intelectuais angolanos, brasileiros, moçambicanos e portugueses no âmbito das lutas políticas da modernidade do século XX. Partindo do pressuposto de que essas relações geraram um campo cultural específico que configurou e reconfigurou sentidos de comunidade, pretende-se reconstituir a formação de redes intelectuais que, à margem das instituições oficiais, no plano da escrita literária ou da intervenção cultural, se posicionaram frente a desafios políticos comuns nos últimos sessenta anos. O primeiro segmento da pesquisa volta-se para a análise das formações discursivas que, no período, se demarcaram dos esforços de homogeneização promovidos pelos estados nacionais, no Brasil e em Portugal, e pelas forças coloniais que atuavam nos países africanos. O objetivo é esclarecer a formação de redes operativas que através de movimentos, grupos e afinidades intelectuais, combateram o autoritarismo político a partir de ações recíprocas no universo cultural da língua portuguesa. No segundo segmento da pesquisa, serão estudadas as teorias que interrogam concepções modernas e contemporâneas de comunidade para analisar os investimentos coloniais voltados para a imposição de uma unidade psicocultural, linguística e biossocial nos países africanos. Ao rejeitar uma noção equívoca de influência ou de comunitarismo luso-afro-brasileiro, o projeto pretende empreender um estudo articulado das movimentações artísticas e intelectuais brasileiras, portuguesas e africanas, em suas expressões angolanas e moçambicanas, para evidenciar a formação de redes afetivas e intelectuais a partir da circulação de objetos literários e culturais que registraram cumplicidades estéticas e políticas dando forma a uma escrita pós-colonial. No terceiro segmento da pesquisa, serão analisadas as formas de arte realista como dispositivo artístico privilegiado de representação póscolonial. As objetivações artísticas e culturais, ao proporem recontratualizações simbólicas e sociais, mesmo quando não se limitam ao sistema teórico do realismo, utilizam a referência, que aponta necessariamente, por um lado, para critérios de interpretação da realidade social imediata e cotidiana, e por outro lado, para uma prática de produção de sentidos em clara interação com essa mesma realidade. Neste nível da pesquisa, busca-se esclarecer o sentido de retorno ao real e suas novas condições de emergência neste universo específico.

 

Literatura, Leitura e Política
Prof. Julio Cesar Valladão Diniz

Análise crítica de textos, autores e temas na perspectiva dos estudos de cultura, com ênfase na discussão de questões ligadas aos espaços multifacetados da contemporaneidade. O projeto privilegia as narrativas que, sob um viés comparativo, focam os seus discursos em categorias como ética, política, trânsito cultural, identidade(s) diaspóricas e representação nacional.

 

Os pontos cardeais do modernismo III 
Prof. Gilberto Mendonça Teles

O projeto de pesquisa tem por objetivo a continuação do levantamento, que vem sendo realizado através das revisões e reedições de Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, visando ao panorama mais completo possível dos manifestos e proclamas dos jornais e revistas fundados por influência da projeção e expressão do Modernismo pelo território brasileiro.

 

Reminiscências históricas e literárias: fundação e metamorfose na literatura portuguesa 
Profª Cleonice Serôa da Motta Berardinelli

O gosto da "citação" é de fato indiscutível. Contudo, em se tratando da literatura portuguesa, parece ser ainda mais pertinente evocar esse gesto fundacional que encontra em momentos privilegiados da história e em referências literárias obsedantes a alavanca do gesto criador, em outras palavras, não a sua repetição, mas a sua metamorfose. Camões, Gil Vicente, Pessoa, Vieira, Garrett, Antero ou Eça são emblemáticos desse modelo de duplo viés: a evocação e a releitura.

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