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The Exploratory Practice Centre |
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REPORTS FROM RIO |
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| 5th EP EVENT (Teaching Practice Students' Impressions) |
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ALUNOS
E PROFESSORES JUNTOS NA PRÁTICA EXPLORATÓRIA: A
CONSTRUÇÃO DO SONHO “Uma
conferência DE professores e alunos, PARA professores e alunos" SEXTA-FEIRA,
27 DE JUNHO E SÁBADO, 28 DE JUNHO DE 2003 PUC-Rio, Brasil |
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TRANSCRIÇÃO
EDITADA DA DISCUSSÃO
PLENÁRIA COM DEBATEDORES Profa.
Maria Antonieta Alba Celani (PUC-SP) Queria
agradecer a oportunidade de participar de um evento como este. Aprendi
muito e estou muito contente por ter conhecido o trabalho de grande relevância,
principalmente por envolver pessoas que trabalham com o setor público --
porque eu mesma estou envolvida e interessada neste tipo de trabalho e por
vir a conhecer mais sobe a P.E. a respeito da qual j;a tinha ouvido falar. Gostei
muito
Se alguém me
perguntar quando eu voltar para casa (PUC-SP), o que mais me impressionou
no encontro, tenho certeza que foi ouvir os alunos da 6a., 7a., e 8a. séries
falando com a maior tranqüilidade e desembaraço dos seus trabalhos,
revelando o envolvimento que eles tiveram com suas pesquisas. Essa segurança
e orgulho são o que considero fundamental para a formação de pessoas,
de jovens. Percebi isto tanto nos pôsteres quanto nas oficinas. Sobre as atividades, queria destacar a variedade dos tópicos,
tópicos ligados a escolas de línguas, a questões sociais (talvez um
pouco crítico demais!) discussões sobre a sala de aula, sobre currículo
e sobre avaliação. Fiquei muito impressionada com os alunos trabalhando
encima do currículo. Dar responsabilidade ao aluno é algo que considero fundamental para o
desenvolvimento e a formação da pessoa. Sobre as mesas-redondas,
fiquei contente ao ver que a mesma importância do papel dos alunos tenha
sido a tônica de grande importância deste evento. O trabalho de sala de
aula e o afeto com relatos do que deu e que não deu certo. Especialmente
importante aquele depoimento dos alunos em relação a um trabalho que
fizeram mal. Foi uma grande lição para pesquisadores que às vezes ficam
em dúvida sobre como trabalhar com seus dados. As oficinas mostraram,
também, uma variedade de temas muito grande de revelaram a riqueza e
abrangência do tipo de trabalho que está sendo feito. Algumas foram a
expansão do que estava no pôster, o que é bastante louvável
principalmente porque eram as crianças da escola não só apresentando
seu trabalho mas explicando como chegaram até esse ponto. O teatro Hamlet que
vimos ontem foi realmente comovedor e muito rico do ponto de vista
educativo. Com
relação às oficinas, eu fui um pouquinho egoísta -- preferi ficar numa
só e fui ver aquelas que me tocavam mais de perto. Na
sexta, fui na oficina conduzida por alunos de Prática de Ensino e
coordenada pela Inés porque tenho muito interesse na formação do
professor. Lá está a grande questão. Aprendi muito, inclusive do ponto
de vista de dinâmica de oficina. Foi bastante interessante. No sábado,
fui na do Dick Allwright, porque quero conhecer mais sobre a P.E. Ambas,
foram de grande utilidade e interesse do ponto de vista de conhecimento. Concluindo, este
evento teve para mim um grande significado, principalmente por poder esta
junto de pessoas que têm as mesmas preocupações que eu tenho, às vezes
levadas de forma diferente, com a questão da formação do professor. É
claro que o professor de inglês não trabalha sozinho, ele trabalha com
colegas e então não podemos olhar para a formação do professor de inglês
sozinho. Só espero que
eventos deste tipo se repitam e que eu possa participar deles! Prof.
Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ) Quero começar
agradecendo a Inés e aos organizadores do evento por terem me convidado a
um evento que constitui um grande momento de aprendizagem. Talvez seja a
maior crítica que eu faça à universidade pelo fato dela ser o lugar de
quem sabe e não de pessoas que querem aprender. No meu entender a
universidade é um lugar de pessoas que não sabem e estão querendo
aprender. E o que vi aqui, é um encontro de pessoas que estão claramente
envolvidas num repensar de seu trabalho, envolvidas em aprendizado. Queria
agradecer mais uma vez a Inés e cumprimentar a todos. Achei este
evento muito interessante pela amplidão – representando trabalhos
realizados tanto na escola pública (onde está meu principal interesse),
na escola privada, com professores e alunos atuando em diversos níveis, o
que é raro de acontecer! Outra característica
que é importante ressaltar é a qualidade dos trabalhos e, principalmente,
o inusitado de algumas questões que aparecem. O ultimo
ponto geral é o vanguardismo internacional e no Brasil mesmo. Eu já
participei de eventos de Pesquisa-Ação, mas nunca participei desses
eventos em que o que me pareceu interessante foi juntar professores que
atuam em vários níveis voltados para a questão da aprendizagem. Então, parabéns!
Para mim também por estar participando! Foi um momento muito importante
mesmo!!!! Vou comentar agora as
3 modalidades de apresentações, na minha compreensão do que eu vi. Vejo
5 temas aos que vou me referir: 1.
A questão do papel educacional da aprendizagem de língua
dentro da escola; 2.
A definição do que é bagunça dentro da escola; 3.
O papel do inglês no mundo contemporâneo; 4.
A escola é chata 5.
Auto-estima, afeto. E ligado a isso, a questão identitária
e a questão da diferença entre as pessoas. Antes de falar disto,
queria me reportar um pouco aos pôsteres. Singularizo 5 sobre os quais me
detive com mais atenção. “Por quê os
brasileiros temos mania de falar inglês?” É curiosíssima a
oportunidade que esta escola ou esta professora possibilitou de tematizar
esta questão tão crucial num pais como o Brasil que está sempre sendo
guiado por significados que entram no Brasil por essa lingua, pela história
brasileira, pela economia brasileira da dependência e, agora, no mundo
pela globalização. Eu acho muito importante que este tema tenha surgido
na cabeça de um aluno e dai ter virado tema de pesquisa. Também vi um resumo
belíssimo de Hamlet. Também com a apresentação. Ressalto, também, o
currículo fabricado pelos alunos que foram à direção da escola e
disseram “por que a gente não pode dizer o que queremos estudar” e a
resposta foi “porque vocês não têm cultura”. E eles então
propuseram um currículo. A questão do mercado
de trabalho. É engraçado porque essa coisa da “escola é chata”
junta um pouco com a questão do mercado. Parece que há um interesse em
discutir um pouco “por que será que a escola é chata?” Será que a
escola está tematizando a questão de por quê a escola é chata? Ou o
inglês é chato?” São questões típicas da vida da sociedade
contemporânea que parece precisam ser tematizadas. A questão “Por quê
o mundo fala línguas diferentes?” levou a discutir a própria origem
das línguas. Em relação à mesa-redonda
“O papel da LE”, foi aí que apareceu muito essa questão da aula ser
chata, do professor ser chato. Me pareceu que em algumas falas havia muito
essa questão de que o aluno que faz bagunça é o bom aluno. Tenho a
impressão que este tema está relacionado a uma compreensão diferente do
que é a sala de aula na contemporaneidade. Na minha pesquisa há 15 anos
atrás me assustei com o contraste daquilo que eu tinha vivido como aluno,
quando os alunos tinham que ficar quietos e organizadinhos. Isto não
ocorre mais. Estudando interação vemos que todos falam ao mesmo tempo e
dá a impressão de que os alunos que não são bagunceiros são os ruins.
Não é isso, é uma
nova definição dos eventos que ocorrem numa sala. O que é chamado de
bagunça, não é. São modos diferenciados de entender a sala de aula. Outro tema que me
chamou a atenção é “a aprendizagem de língua como educação”. Outro pôster
interessante é aquele que discute a lei do Aldo Rebelo. Queria colocar
uma questão: a lei é para barrar a penetração do inglês. Um outro
olhar poderia ser um fator inerente às línguas. Esta lei teria algum
efeito? Como é que as línguas se desenvolvem? Tem a ver com questões de
contato de natureza econômica. Estes seriam temas para continuar as
pesquisas, se acharem relevantes… Sobre a mesa-redonda
que discutiu “Afeto”, me pergunto se o que é constituído como afeto
não varia entre as pessoas? Por exemplo, e aquele tipo de aluno ou de
professor que exatamente não mostra afeto?. O afeto é muito diferente.
Aquilo que motiva alguém é diferente para outro. Ligada ao afeto, também,
a questão que aparece é a do medo de errar. Por quê esse medo? Sobre os workshops,
fui a 2 porque tive que selecionar. O primeiro foi sobre narrativas de
professor. Eu mesmo contei uma narrativa de uma experiência profissional
que me marcou. A oficina me atraiu pelo meu interesse em estudar
narrativas. Ela funcionou de maneira muito interessante. Tinha um narrador,
um entrevistador e uma pessoa que recontava a história. Depois houve uma
discussão que levantou a questão se é verdade que somos as histórias
que contamos e como isto tem relação com o que aprendemos
profissionalmente. O workshop sobre multiculturalismo me deu oportunidade de
ouvir uma professora de alfabetização narrando uma experiência muito
interessante em que ela operacionaliza, longe do discurso da academia, um
problema e encontra soluções riquíssimas para problemas com que ela se
defronta. Ela expressou uma relação muito clara com questões que muitas
pessoas estão estudando atualmente com relação à importância da …. Profa.
Solange Coelho Vereza (UFF) Queria agradecer a Inés
pelo convite e pela participação no evento. Não sou uma especialista em
P.E. Acho que acompanhei o namoro da Inés com a P. E. – namoro, noivado,
casamento e, pelo que vi neste evento, já há várias gerações de P.E. O que mais
me marcou neste evento é a desidealização e a democratização do
saber. Foi o que o Luiz Paulo falou com respeito ao falso Olimpo em que a
universidade se coloca. Este encontro mostra que não faz diferença, não
importa quem é o aluno de línguas, da escola, da graduação, da
especialização, da pós-graduação, o treinador de professores, o
mentor. Tenho muita dificuldade com a hierarquização do saber, com a
institucionalização hierárquica do saber. Aqui não foi só uma atitude,
uma postura em relação
ao aluno, mas fazer pesquisa junto com o aluno, observar, aprender e
entender junto com o aluno. Isso é uma grande novidade. Ontem, na fala do Dick, ele nos disse que estamos sempre do
mesmo lado, professores e alunos, temos o mesmo objetivo. Temos que ter
isso sempre em mente porque a academia pode levar a uma vaidade que não
é só incentivada por nós mesmos, mas que o próprio meio estimula. E,
estando com os alunos, lembramos também que temos muito a aprender. Agora,
uma coisa é achar isso – eu sempre achei – e de repente ver isso num
evento completamente voltado e desenvolvido sob essas bases. Não ´s só
um evento mas como uma tendência de investigação e isso é bastante
interessante e motivador. Eu tinha escrito um artigo há dois anos sobre a lei do Aldo
Rebelo. Para escrevê-lo, estudei bastante, pesquisei sobre empréstimo
lingüístico, aspectos da filosofia da linguagem e a questão da
pedagogia crítica. Digo isso não para caracterizar um bom artigo mas um
gênero como outro qualquer. De repente vejo um pôster feito pelos alunos
em que as conclusões e as indagações são muito parecidas. Fiquei tão
gratificada com aquilo e logo estava trocando idéias com os alunos e
convidando eles para irem à universidade para apresentar o trabalho. Eu não
posso ser ingênua de achar que eu posso deixar de escrever os meus
artigos pois a minha universidade me pontua por isso, parte do meu salário
depende disso. Eu tenho que colocar isso num patamar e não
achar que o meu saber é mais importante, aceitar como gêneros diferentes
e não hierarquiza-los.
Esse encontro com esse pôster foi muito legal. Olhando os pôsteres e as oficinas, me marcou muito a
profusão de “whys”. Há tantos professores que vêm com a pergunta de
“how” e essas perguntas são exatamente as mesmas que há 30 anos atrás:
How to motivate your students.
Tenho certeza que Sócrates e os filósofos gregos e os
professores tinham as mesmas questões, todo mundo quer saber como dar uma
aula mais interessante. Se houvesse respostas claras para as perguntas
elas já teriam sido respondidas pois há muita gente inteligente
trabalhando com ensino.Não é possível que não tenham achado ainda uma
resposta.
Agora, se você começa a perguntar o porquê as perguntas são tão
diferentes. O porquê traz consigo a desnaturalização do óbvio. E fazer esta pergunta, junto com os alunos, é ainda
mais interessante. Por exemplo, um pôster sobre um assunto árido, difícil
e quase tão eterno quanto motivador - How to teach the Present Perfect to
Brazilian students? E um dos alunos, dentro desse tópico, pergunta: Why
we need learn English? Why
this is so slow? Why we don’t born speaking English? O
“why” do aluno bate muito fundo. Se a gente for ver, são as mesmas
perguntas que a gente tem. Compartilhar os “whys” com os alunos é
muito interessante enquanto a gente só compartilha o “how” com os
professores, porque são os professores que têm a técnica. O “how”
é a técnica. O “why” nos leva aos alunos e os alunos nos levam à
gente. Isso tudo eu aprendi hoje, foi muito interessante. Quanto à oficina
escolhida – a da Inés – levou ao retorno do “why”, o elogio da
pergunta. A gente pode não ter um “because” mas vai nos obrigar a questionar crenças,
premissas, ideologias, afetos e muitas outras coisas. Em cada porquê tem
uma história toda por trás e sempre fazendo isso com os alunos. Sobre o conceito
levantado por Dick da Qualidade de Vida, eu pensei na última vez, há 10
anos, que dei uma aula de inglês mesmo, aqui na PUC, com a Inés. Nós tínhamos
um desafio que era ensinar inglês para uma turma de funcionários da PUC
desesperançados, os bloqueados que achavam que nunca mais iam aprender
inglês. Aquela experiência foi extremamente bem sucedida porque foi a
partir da qualidade de vida dentro daquela sala de aula. No cartão de fim
de curso eles diziam, entre outras coisas, “Solange, minha bichinha, você
foi a professora mais pai d’égua... O que foi que a gente aprendeu
mesmo neste curso? Inglês, talvez... Eu só me lembro de ter curtido
muito. Obrigado pelo incentivo e por ter me dado a oportunidade de me
sentir totalmente à vontade.” Li ontem nas páginas amarelas de um curso que diz usar método
cientificamente comprovado. Naquele curso na PUC nós não tínhamos um método
cientificamente comprovado mas estávamos com uma vontade estúpida de
estar com aqueles alunos e de sair do papel de mentor. Isso teve a ver com
a qualidade de vida. Isso é um puzzle. Como reproduzir isso? Muito difícil.
Certamente não tem a ver com método. Se a P. E. enfatiza e reivindica a volta da
Qualidade de Vida, sem o ranço do humanismo clássico da década de 70,
com um novo vigor, é muito bem-vindo. É a Qualidade de Vida, o retorno
do aluno para nossas pesquisas – olhar com ele e não só para ele – e
a oportunidade de estar aqui com os alunos, professores e todo o mundo,
como um reveillon na praia de Copacabana, um lugar democrático. Se
pudermos trazer um pouco disso para a nossa profissão, melhor ainda.
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