Revista SEMEAR 5  
   
Os Lusíadas, do livro à obra: a contribuição de Cesário Verde
 

Ronaldo Menegaz
Cátedra Pe. António Vieira / PUC-Rio / Biblioteca Nacional

1. Não só os grandes teóricos “têm contribuído para a construção inacabada e, porventura, inacabável [do poema]”.

Eduardo Lourenço, no ensaio “A emigração como mito e os mitos da emigração”, incluído em O Labirinto da Saudade, afirma:

Há um Camões de Garrett, como há um de Teófilo, outro de Oliveira Martins, de Fidelino de Figueiredo, de Hernâni Cidade, de José Régio e, para falar de vivos, de um António José Saraiva e de um Jorge de Sena. Seria até excelente que em volume se reunissem essas principais imagens do Épico para melhor se julgar do que cabe a cada um dos que, com mais originalidade, têm contribuído para a sua “construção” inacabada e porventura, inacabável.[1]

O ilustre mestre, atendo-se a uma enumeração de teóricos – parece-me que é, sobretudo, nesse aspecto que ele os vê – não fez referência a um Camões de Cesário Verde. A proposta deste trabalho é inquirir sobre a contribuição do poeta de “O sentimento dum ocidental” na construção “inacabada e, porventura, inacabável” de Os Lusíadas.

Na barra do Tejo, onde se faz difícil estabelecer os limites entre as águas do rio e as do mar, aí nessa zona de transição, onde convive “co salgado mar o doce Tejo”[2], aí se poderia marcar uma linha de separação entre o espaço geográfico da épica camoniana, Tejo a fora, e a zona de observação lúcida de Cesário Verde, terra acima, ou melhor, ribeira acima.

Não foi necessário a Cesário Verde afastar-se muito do embarcadouro de Belém ou da praia do Restelo para desvelar-nos a resposta às indagações carregadas de vidências proféticas daquele velho de “aspeito venerando”:

A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes, lhe destinas
Debaixo de algum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? que vitórias?[3]

É do cumprir-se dos presságios do velho do Restelo que nascem a soturnidade e a melancolia, raízes de um desejo absurdo de sofrer, que sobe com o cair da noite no coração do poeta.

Nas nossas ruas, ao anoitecer
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.[4]

 

2. O tempo da enunciação do velho poeta

Quando teria Camões escrito Os Lusíadas? Teria escrito com intermitências entre curtos, ou longos espaços de tempo? Ou teria escrito tudo seqüencialmente depois de sua chegada a Lisboa, lá pelos idos de 1569? É difícil precisar, faltam-nos documentos com que precisar. No entanto, levando-se em conta que o poema é dedicado a D. Sebastião, que, já então, reina, imagine-se um tempo entre a morte de D. João III, 1557, e 1570, no ano segundo do reinado pessoal de D. Sebastião. Nesses 13 anos teria Camões tido o tempo necessário para elaborar sua epopéia, que pode ter sido iniciada na Índia e terminada em Lisboa, dois anos antes de sua publicação.

Ao localizar Camões em Macau, em julho de 1558, Storck aventa que, na cidade chinesa, o poeta, ocupando um posto que não lhe dava grande trabalho, teria tido ócio suficiente para ir adiantando seu poema. Veja-se o que escreve Storck:

Em fins do mez de julho do anno de 1558 o Camões tomou posse do seu logar de Provedor-mór dos defunctos e ausentes de Macau, aproveitando o amplo ócio que gozava Em fins do mez de Julho do anno de 1558 o Camões tomou posse do seu logar de Provedor para adeantar os Lusíadas. Mas essa boa fortuna foi de pouca duração. Um condestável “volante” de Macau, o capitão de uma nau da carreira da China e do Japão, incriminou o poeta de certos delictos administrativos, setenciando que se fosse livrar a Índia e levando-o preso em princípios de 1560, a bordo da sua nau, com destino a Gôa. Na foz do Mecom soffre naufragio em março, salvando a vida e os Lusíadas; vive durante algum tempo entre os Buddhistas do Cambodja; alcança Malacca e segue para Gôa, onde desembarca no outomno de 1560 (novembro), depois de quatro annos e meio de ausencia[5]

Enquanto no extremo oriente o poeta sofria tamanhas vicissitudes, no reino, morto D. João III, o trono de Portugal passa a uma criança de apenas três anos; em seu lugar governa como regente sua avó, D. Catarina, a rainha viúva. A vizinha Espanha, pátria da regente, crescia em poder e vivia seu Siglo de Oro (mais ou menos 1550-1650). Evidentemente, aumentava consideravelmente a influência espanhola na corte portuguesa, e o reino entrava aceleradamente num período “d˜ua austera, apaga e vil tristeza” que, com curtos momentos de euforia, não se iria acabar tão cedo.

Em 1562 passa a regência ao tio-avô do jovem monarca. D. Henrique, cardeal-arcebispo de Lisboa e inquisidor-mor do reino, que vai governar até 1568, ano da maioridade de D. Sebastião. Os dois regentes não alteraram em nada a estrutura do reino, nem empreenderam reformas essenciais. O rico período de mudanças e expansão ficou na primeira metade do século; agora, o que importava era conservar e fortalecer a ordem existente. Para tanto se fazia necessário o fortalecimento da Inquisição, que se estendeu até a Índia. O cardeal regente preocupava-se com a ratificação e efetivação das decisões do Concílio de Trento, encerrado em 1563. É nesta conjuntura que se inicia o reinado pessoal de D. Sebastião, feito rei aos 14 anos de idade. Sobre o adolescente monarca escreve Oliveira Marques.

Enfermo no corpo e no espírito, importava-se pouco com o ofício da governação, perdido antes em sonhos de conquista e de expansão da Fé [...] Despreza os velhos e os prudentes, rodeando-se de um grupo de jovens aristocratas, quase tão loucos e pouco maduros como ele próprio. Não aceitava palavras de aviso nem encarava a realidade e a verdade como o eram. Só a adulação abria caminho para a sua intimidade.[6]

D. Catarina, avó do monarca, tentou, a princípio, conduzi-lo a um equilíbrio e conseguia até intervir nos problemas da administração, mas logo seus conselhos passaram a valer menos que os dos aduladores e dos favoritos ineptos.

É a esse rei que Camões vai dirigir a exortação da estância 152 do X Canto:

Tomai conselho só de exprimentados,
Que viram largos anos, largos meses,
Que, posto que em cientes muito cabe,
Mais em particular o experto sabe.

No entanto, todo o discurso dirigido ao rei parece fazer eco ao desejo de feitos valorosos deste. Terão as palavras de Camões a seu rei refletido um pouco as dos aduladores que cercavam o trono? O fato é que a exortação belicista do canto oficial não condiz com o desalento revelado no desabafo da estância 145 do X Canto. Se a pátria já está “metida / no gosto da cobiça”, para que estimular, excitar o fervor guerreiro do rei mancebo? Para que estimular novas conquistas?

Em verdade, nos primeiros anos a influência de D. Catarina ainda se exercia, de um certo modo, positivas, no ânimo do rei; trabalhava a velha rainha para que o neto cuidasse antes da sucessão que do sonho africano. Desiludida, retira-se ela para o Paço de Xabregas. Era dada a vez aos aduladores, aos favoritos ineptos. Para a obtenção de dinheiro que financiasse a guerra em Marrocos, o povo foi oprimido por mais impostos, e dívidas foram contraídas com financiadores estrangeiros. Oliveira Marques fala de uma de “cerca de 400.000 cruzados ao juro de 8% pelo empréstimo de Konrad Rott de Augsbur. Esse capitalista obteve em troca de seu auxílio o ‘exclusivo da venda da pimenta durante três anos’”.

Antônio Sergio[7] em seu ensaio “Camões Panfletário” lê com muita segurança as estrofes 25 a 28 do Canto IX como uma advertência a D. Sebastião. No episódio, Vênus, tendo decidido levar os navegantes à Ilha dos Amores, procura seu “filho flecheiro” para que a ajude e o encontra preparando combate aos homens por que se entregam a vícios como os de amar o que não deviam. Vejam-se as três estâncias referenciadas por Antônio Sérgio:

Já sobre os Idálios montes pende,
onde o filho frecheiro estava então
ajuntando outros muitos, que pretende
fazer ˜ua famosa expedição
contra o mundo rebelde, por que emende
erros grandes, que há dias nele estão,
amando coisas que nos foram dadas
não pera ser amadas, mas usadas.

Via Actéon na caça tão austero,
de cego na alegria bruta, insana,
que, por seguir um feio animal fero,
foge da gente e bela forma humana;
e por castigo quer, doce e severo,
mostrar-lhe a fermosura de Diana;
e guarde-se, não seja inda comido
desses cães, que agora ama, e consumido.

E vê do mundo todo os principais
que nenhum no bem público imagina;
vê neles que não tem amor a mais
que a si somente e a quem Filáucia ensina;
vê que esses que freqüentam os reais
paços, por verdadeira e são doutrina
vendem adulação, que mal consente
mondar-se o novo trigo florescente.

Vê que aqueles que devem à pobreza
amor divino, e ao povo caridade,
amam somente mandos e riqueza,
simulando justiça e integridade;
da feia tirania e de aspereza
fazem direito a vã serenidade;
leis em favor do Rei se estabelecem,
as em favor do povo só perecem.

Antônio Sérgio lê no sintagma “há dias”, da estrofe 25 que ele sublinha, “uma alusão não ao que existe de todo o sempre, mas a factos particulares, influentes e actuais”. Para ele é clara referência a D. Sebastião a paixão venatória de Actéon e sua misoginia: “que por seguir um feio animal fero, / foge da gente e bela forma humana”. Sendo essa “bela forma humana” a mulher de que D. Sebastião fugia como antes fizera o belo Actéon.

Antônio Sérgio reforça sua tese lembrando que o amor desmesurado à caça e a misoginia não são vícios tão freqüentes entre os freqüentes vícios dos homens para se ler aí uma referência “genérica, abstrata, lógica”. Para ele a menção é claramente feita a D. Sebastião. Segundo, ainda, Antônio Sérgio, Faria e Sousa, em sua edição d’Os Lusíadas, já havia notado e anotado esse paralelo entre Actéon e o rei. É ainda Antônio Sérgio que nos transmite a visão que tem Faria e Souza de Camões “delante Del Rey D. Sebastian, como Bautista delante de Herodes, a condenarle sus costumbres...”. É também em consonância com Faria e Sousa que Antônio Sérgio vê no final da estância 27 a impossibilidade de se resgatar o jovem rei do meio de seus aduladores, como se separa o trigo do joio. A adulação dos lisonjeiros impede o rei de ser corrigido pelos homens de bom senso e de experiência que o podiam corrigir.

É pois perfeitamente viável a hipótese de que Camões não tenha completado seu poema com o mesmo espírito com que o tinha iniciado. E as evidências de tal probabilidade são encontradas mais exatamente nos dois últimos cantos talvez escritos ou, quem sabe, modificados já em Lisboa depois de seu regresso à pátria. Novas redações, acréscimos, inserções certamente foram feitas de última hora. Antônio Sérgio acredita que estâncias foram acrescentadas.

Os versos da expedição de Cupido que acabamos de citar e comentar, interrompem o fio da narrativa e têm o aspecto, portanto, de acrescentados por Camões quando chegou à pátria (tal como as críticas à Companhia e a certos validos do monarca tão evidentes, essas, que até os jesuítas suprimiram, como se sabe, na edição de 1584, algumas das alusões de mais vigor)[8]

 

3. O tempo da enunciação do jovem poeta

Cesário Verde viveu entre os anos de 1855 e 1886. Morreu jovem o poeta. 31 anos. Seu tempo de vida enquadra-se num período de profundas transformações sociais decorrentes da revolução industrial que marcava a Europa além-Pireneus. A segunda metade do século XIX foi o período da história em que se assistiu à maior revolução econômica de todos os tempos, da qual Portugal muito pouco participou. Mal provido de ferro, carvão e outras matérias-primas, Portugal não possuía indústrias nem produção de artigos manufaturados. O operariado empregado no exíguo parque industrial era de número muito baixo, até mesmo na primeira metade do século XX, sobretudo em comparação com países da Europa de área territorial pequena como a Bélgica, a Holanda, a Suíça ou os estados escandinavos. A pouca indústria existente estava praticamente fora do controle nacional; era de capitais estrangeiros sobretudo ingleses, mas também franceses, belgas e alemães. Os herdeiros das navegações, com o rico tráfico das especiarias e da construção naval, eram agora desempregados ou arrastavam a vida num subemprego.

Do ponto de vista político, se bem que a ideologia republicana já se tinha feito entrever em 1820, no início das lutas constitucionalistas, foi a partir de 1855 que o republicanismo português teve seu primeiro impulso, assumindo contornos mais definidos através do ideário de Henriques Nogueira (1825-1858), que preconizava os princípios da república, do municipalismo, do federalismo e do associacionismo. O segundo surto republicano em Portugal veio com a geração de 1865-70. Um grupo de jovens intelectuais, alguns ainda em formação acadêmica, proclamou sua fé nos ideais republicanos e seu desprezo pelo regime monárquico. Alguns jovens dessa geração tiveram uma ação decisiva na difusão do ideário republicano, precisando os pontos mais vagos e enriquecendo seu conteúdo com bases filosóficas, políticas e sociais. Pregava-se o cienticismo, o positivismo. Armavam-se assim os idealizadores da república contra o chamado ultramontanismo (a excessiva centralização papal) que chegou ao ponto máximo no Primeiro Concílio do Vaticano (1869-1870) ao se definir o dogma da infalibilidade do papa. O ultramontanismo se manifestava em Portugal sobretudo na ação conservadora e reacionária dos jesuítas.

A despeito de toda uma busca de precisão de princípios e de elementos básicos, o republicanismo português foi gradualmente perdendo o elemento declaradamente socialista que guardava em suas primeiras manifestações. Oliveira Marques chega a formular: “De certa maneira, poder-se-ia dizer que o Republicanismo português se fez “socialista” em princípio, mas “burguês” na prática”.[9] Tanto é verdade que, em 1870, surge o Partido Socialista Português completamente divorciado do Partido Republicano. A partir de 80 este cresce à medida que aquele vai minguando. No entanto, é justo lembrar que a esquerda do Partido Republicano era constituída de socialistas militantes “tanto nos quadros como nas massas”.[10]

Enfim, república socialista ou monarquia constitucional ou legitimista, na realidade era a burguesia, tão “naturalisticamente” representada no romance O Primo Basílio, quem manobrava, através da imprensa reacionária, a sociedade, atuando mais pela inércia do que por uma ação planejada consciente e racionalmente. É a esse tipo de participação social, ou melhor se diria, de bloqueio social que Eça de Queirós se refere em sua carta de 12 de março de 1878, a Teófilo Braga. Nessa carta Eça aborda o que chama de “forças sociais” que “passaram a ser empecilhos públicos”. Escreve o romancista:

Por outro lado ainda, a sociedade que cerca estes personagens – o formalismo oficial (Acácio), a beatice parva de temperamento irritado (D. Felicidade), a literaturinha acéfala (Ernestinho), o descontentamento azedo e o tédio da profissão (Juliana), e às vezes, quando calha, um pobre bom rapaz (Sebastião). Um grupo social, em Lisboa, compõe-se, com pequenas modificações, destes elementos dominantes. Eu conheço vinte grupos assim formados. Uma sociedade sobre falsas bases não está na verdade: atacá-las é um dever. E neste ponto O Primo Basílio não está inteiramente fora da arte revolucionária, creio. Amaro é um empecilho, mas os Acácios, os Ernestos, os Saavedras, os Basílios, são formidáveis empecilhos: são uma bem bonita causa de anarquia no meio da transformação moderna.[11]

Uma sociedade que não está na verdade. Essa idéia de Eça de Queirós sobre a sociedade lisboeta remete para a idéia de Eduardo Lourenço sobre a função de aparato e aparência, na terceira parte do seu ensaio “Somos um povo de pobres com mentalidade de ricos”. É nesse ensaio que Eduardo Lourenço apresenta Cesário Verde como um “deslumbrado e fascinado pelos reflexos sociais desse aparato” que é documentado “de sobra” por sua poesia. Leia-se o que escreve Eduardo Lourenço:

Simplesmente, a função de aparato e de aparência até então confirmada nos limites de uma casta mais ou menos anacrônica e ignara alarga-se com a promoção da burguesia a classe dirigente e começa pouco a pouco a tocar a pequena e média burguesias, como toda a poesia de Cesário, deslumbrado e fascinado pelos reflexos sociais desse aparato, de sobra o documenta.[12]

Eduardo Lourenço não quer aqui significar que Cesário seja apenas “deslumbrado e fascinado” pelos reflexos sociais do aparato. Sua poesia atesta isso, é verdade, mas registra também os reflexos sociais não fascinantes nem deslumbrantes do aparato. E disso sabe muito bem Eduardo Lourenço. Na poesia de Cesário encontram-se também os reflexos negativos aos quais a classe dirigente aparece não dar a menor importância. Passa-se tudo como na tragédia “da criança escrava”, ajudante de pedreiro: os comentários superficiais de todos e apenas um de solidariedade do companheiro negro que lhe murmura chorando: “Homem não desfaleça”. (Desastre).[13] Da hierarquia superior, o patrão berra a seu imediato, o empreiteiro: “Morreu!? Pois não caisse! Alguma bebedeira”. (Desastre). Aliás, no referido poema Cesário Verde revela essa bifrontalidade da sociedade portuguesa do século XIX (Só a portuguesa do século XIX?). As três primeiras estrofes do poema manifestam o que se poderia chamar o plano da dor: “Ele ia numa maca, em ânsias contrafeito, / Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;” a quarta e quinta estrofe (menos o último hemistíquio da quinta “Ele já não gemia” revelam o plano que se poderia dizer da indiferença insolente de todos. Até mesmo a de “um bom poeta”, que só vê na trágica cena material pura literatice. A seguir, da segunda estrofe até a última, a 17a, os dois planos vão emergindo consecutivamente, ora um ora outro, até o desfecho: o “fait divers”, ligeiro e hipócrita, entre as notícias locais, com a brutalidade do patrão a atribuir grosseiramente à ação do álcool a ebriez resultante da fome e da contemplação do mundo desde um ponto mais alto (“o mar, que abismo! E o sol, que labareda!”). Contrastam no texto as palavras francesas como indícios de uma “civilização” a que poucos têm acesso: cocottes, char-à-bancs, coupé, disseminadas no corpo vernáculo do texto tragicamente português.

 

4. Camões e o canto da gestação do Império

A proposta de Camões, devidamente explicitada nas três primeiras instâncias do Canto I de Os Lusíadas, é a de cantar: as armas e os varões que edificaram um novo reino; as memórias dos reis que ampliaram as fronteiras da Fé e do Império para muito além, e os heróis imortais. É isso que ele quer espalhar por toda parte – atente-se para o radical de espalhar = palha, que em virtude de sua leveza se pode disseminar mais facilmente por largas distâncias – para tanto ele vai precisar de que lhe ajudem o engenho e a arte, ou seja, “a faculdade conceptiva” e o poder de realização artística” conforme a leitura dos dois substantivos por Hernâni Cidade em suas notas a Os Lusíadas[14].

A conquista, pois, das “terras viciosas” da África e da Ásia por homens armados apresenta-se em Os Lusíadas como objeto primeiro da epopéia.

Edificar um “novo reino” conduz a idéias, até certo ponto excludentes, de alteridade (um reino antigo na Europa, um novo reino na Ásia) ou de renovação do já existente que ficaria “novo” com os acréscimos da conquista das terras que “andaram devastando”. Torna-se claro pela leitura do 7o verso da estância primeira do Canto I que o “novo reino” foi edificado entre “gente remota”, o que confirma a primeira hipótese. Trata-se pois de evocar e celebrar homens, armas, heróis e reis que edificaram um novo reino além do mar, partindo da “ocidental praia lusitana”; um império português de ultramar, obra de portugueses que, ao longo da leitura do poema, sente o leitor que foram transformados em braço direito (ou braço armado) de um velho plano eurocêntrico/cristianocêntrico, sonho de santos, heróis, papas e pecadores desde a alta Idade Média (ou quem sabe, antes) passando por São Bernardo, pelas Cruzadas, pelo devaneio dos milenaristas, até empolgar as conquistas ibéricas entre “gente remota de África, Ásia e América”.. O ideal de Cristo de que houvesse um só rebanho e um só pastor é um dos princípios básicos da busca do domínio da Europa cristã sobre outros povos desconhecedores da Boa Nova da redenção em Cristo.

A difusão da fé era confessadamente o objetivo principal das conquistas. Camões o deixa implícito na sua proposição: a Fé associada ao Império como se uma coisa constituisse parte de outra. Garcia de Resende em sua Miscelânea, estância 271, refere-se ao exalçamento da Fé como item primordial da política de D. João III;

Veemos-lhe paz com cristãos,
com mouros guerra, imizade,
não como os reis comarcãos.
Fez cristãos muito pagãos,
acrescenta a cristandade;
nunca em ligas quis entrar
com reis cristãos, nem quer dar
a mouros pazes que pedem:
só por Deos se não concedem
pela fee sancta exalçar.[15]

O texto camoniano está ligado intimamente ao ímpeto inaugural da expansão ultramarina. É preciso abandonar o prisma perverso e maniqueísta de ver Camões como o poeta que apenas glorificou o expansionismo português-europeu-cristão. Apenas isso, ou seja, como se o poeta se tivesse atido à simples proposição inicial. Não se pode tampouco ver o poeta apenas como um criador que tivesse tido uma visão universalista e progressista da matéria que serviu para seu canto. Na verdade Camões foi um homem de seu tempo, com um pé na Idade Média e outro na modernidade, mas que teve um conhecimento invulgar em seu tempo, extrema sensibilidade para apreender o homem e o mundo e rica experiência de vida.

Pouco a pouco a Europa tomou conta do poema de Camões como o canto da expansão européia. Os Lusíadas foram traduzidos para o inglês em 1655 por Sir Richard Fanahawe, o mesmo que depois viria a Portugal tratar do casamento do monarca inglês Carlos II com a Infanta D. Catarina, filha de D. João IV (1662). Entre as numerosas concessões feitas por Portugal nas negociações com a Inglaterra visando ao apoio da velha aliada (aliada?!) na reconsolidação de seu império, o rei de Portugal oferecia como dote da Infanta a cidade-praça de Bombaim, que acabou sendo uma das bases da expansão imperialista inglesa na Índia. Esse casamento que cobria e justificava uma coparticipação a Inglaterra no império de ultramar aumenta o interesse pelos Lusíadas e por outras obras portuguesas sobre a expansão, como A vida de D. João de Castro e A Ásia Portuguesa, de Faria e Sousa. Conforme escreve Antonio de Figueiredo:

Eventualmente, deste surto de aproximação e amizade entre as cortes da Inglaterra e Portugal viria a resultar o Tratado de Methuem de 1703 que viria a consagrar decisivamente a subordinação de Portugal à Inglaterra, então lançada no processo de expansão que viria a resultar num dos maiores impérios do mundo[16]

É bastante significativo que no momento em que a evolução política do mundo começava a rejeitar a validade moral e política do colonialismo e do imperialismo, o interesse internacional pelo poema camoniano tenha começado a decrescer até cair no esquecimento. Só em Portugal, sob a ditadura do regime salazarista é que se dá o inverso: o último país colonialista da Europa agarrado a uma idéia de império agarra-se também a Os Lusíadas e ao culto a Camões, para, na expressão de Antonio de Figueiredo

dar sentido e substância às doutrinas nacionalistas e colonialistas que serviam de base ao conceito de uma “Nação Una” formada por Portugal e pelo antigo Império.

Mas o que se deseja nesse trabalho é mostrar que conscientemente Camões extrapolou os limites de sua proposta, gerando um canto onde se revela uma sabedoria universal e intemporal e uma consciência extremamente alertada para a fragilidade, a falibilidade e a insegurança da condição humana. Esse entornar-se além dos propósitos iniciais é que enriquece o poema e lha dá uma imensa substância humana. Na visão do homem por Camões o foco se desloca: o homem, centro do universo do humanismo renascentista, perde sua posição sobrenaturalizada de semideus para assumir a de “um bicho da terra tão pequeno”.

O homem que resulta do testemunho de Camões ultrapassa questões de Geografia, de Civilização e de Credo religioso: é o homem um “fraco humano” que não tem “segura a curta vida” reduzido a sua real condição, aquela que será descrita por Pascal no século seguinte:

L’homme n’est qu’um roseau, le plus faible de la nature, mais c’est um roseau pensant. Il ne faut pas que l’univers entier s’arme pour l’écraser: une vapeur, une goutte d’eau, suffit pour le tuer. Mais, quand l’univers l’écraserait, l’homme serait encore plus noble que ce qui le tue, parce qu’il sait qu’il meurt, et l’avantage que l’univers a sur lui; l’univers n’en sait rien[17]

 

5. Cesário e o canto na agonia do Império

Como Camões contemplou e cantou a gestão de um império que já se ofuscava em vida do poeta, Cesário Verde erguerá seu canto nos estertores desse mesmo império que, se não se diz já morto porque os portugueses só não tinham verbalizado tal morte. No tempo de Cesário era o império um ser catatônico ostentando uma vida artificial. Era o domínio da função de aparato e aparência de que fala Eduardo Lourenço.[18] Se o império não era dado por morto – e talvez por isso mesmo – não se completava a gestação do Portugal moderno. Em vão o poeta dos objetos precisos procura na cidade crepuscular o contraponto atualizado daquilo que resta apenas como memória: “mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado”... “singram soberbas naus que eu não verei jamais!” (O sentimento dum ocidental). É em vão que busca “as soberbas naus”; elas não são mais soberbas e navegam em “marés de fel” “de um sinistro mar”.

No entanto, se debalde o poeta quer ver a atualização, em termos de final de século XIX, das épocas das “crônicas navais”; se o Portugal de seus sonhos de homem moderno (“Eu que sou hábil, prático, viril” (A Débil) que lê Taine, Spencer e Baudelaire, estiver faltando cumprir-se para sempre, pelo menos, o livro ficou: o antigo poeta salvou-o a nado no naufrágio e é nesse livro que o novo poeta escreve, que todos escrevem porque, como diz Barthes:[19] todo texto é escrito eternamente aqui e agora”. Cesário escreveu no livro que foi salvo a nado; acrescentou-lhe dados e fatos de que o antigo poeta não teve conhecimento ou pelos quais ele tenha passado despercebido, embora tenha sido ele quem criou o espaço e o motivo para esses acréscimos. Camões trouxe as mães do Restelo: mães, esposas, filhas em lágrimas diante da partida de seus homens:

Qual vai dizendo: – “Ó filho a quem eu tinha
Só para refrigério e doce amparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará penoso e amaro,
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mim te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento
Onde sejas de peixes mantimentos.[20]

Cesário em “O sentimento dum ocidental” desloca essas mães do ritual de despedida e as apresenta constantes no tempo disperso, como fontes e matrizes dos “fortes portugueses” que navegam[21] e navegarão.

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Em O rumor da língua, Barthes escreve:

Saberemos agora que um texto não é feito de uma linha de palavras libertando um sentido único, de certo modo teológico (que seria a “mensagem” do Autor-Deus), mas um espaço de dimensões múltiplas onde se casam e se contestam escritas variadas, nenhuma das quais é original: o texto é um tecido de citações, saída dos mil focos da cultura.[22]

Liguem-se essas considerações de Barthes ao conhecimento de que Cesário Verde terá sido dos primeiros portugueses que leram Camões com olhos que leram também Baudelaire. Isso faz dele um leitor especial na medida em que representa o espaço onde se juntam os textos da viagem dos barões assinalados e os textos dos convites às viagens pelos paraísos artificiais do poeta de Les fleurs du mal:

Os paraísos que Cesário busca talvez não sejam os que estão lá. “Là, tout n’est qu’ordre et beauté, / Luxe, calme et volupté”,[23] mas os paraísos artificiais da modernidade das importantes capitais da Europa:

Batem os carros d’aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revistas, exposições, países
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo.
(“O sentimento dum ocidental”)

Viajar, partir, emigrar é uma das sinalizações que o povo português tem deixado ao longo da História. Emigrantes, exilados, despatriados foram Camões, Garrett, Herculano, Torga, Ferreira de Castro, Jorge de Sena, Aquilino Ribeiro.

Se para esses se aplica a frase lapidar de Eduardo Lourenço: “Aventura de pobre é sempre a dos que buscam em longes terras o que em casa lhes falta”,[24] a muitos outros aplica-se preferencialmente essoutra: “Pobres saímos agora de casa para servir povos mais ricos e organizados que nós.”[25]

Na parte IV de “O sentimento dum ocidental”, Cesário se permite alguns sonhos. É o Cesário de Eduardo Lourenço, “deslumbrado e fascinado pelos reflexos sociais desse aparato”. O poeta sonha com a volta de um poder luso que, ao final das contas, tinha durado tão pouco; mas é como se fosse incontida a pulsão de viagem, de seguir pelo longo mar:

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nômades ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas é apenas um momento, para logo voltar à triste realidade de uma Lisboa que é ao mesmo tempo prisão, hospital e cemitério.

Mas, se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas.
(“O sentimento dum ocidental”)

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar.
(“O sentimento dum ocidental”)

Justo é que num poeta como Cesário Verde, cuja escrita dá continuidade à de Camões, o mar seja uma recorrência de forte carga significativa. Exatamente na estância final do Canto I de Os Lusíadas, num de seus excursos, o poeta expõe sua perplexidade diante do mar, espaço de dano e morte.

No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida![26]

Em “Heroísmos”, Cesário estende os dois versos da epopéia numa expressão pessoal, subjetiva:

Eu temo muito o mar, o mar enorme,
Solene, enraivecido, turbulento,
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento;
O mar sublime, o mar que nunca dorme.

Essa posição quase religiosa diante do mar, de um mar que, além de enorme, é solene e sublime, desfaz-se ao final do poema num ato de irreverência sacrílega. Vingança por tudo que se esperou e não veio? Jorge Fernandes da Silveira escreve a esse propósito. Cesário é “o primeiro poeta português a sujar a via da glória nacional: “Escarro, com desdém, no grande mar”.[27]

Não é só. Camões morreu. Além do livro salvo a nado, ficou-lhe a imagem num mendigo de aspecto infeliz, que, depois, também morreu:

Uns operários, nestes descampados,
Também surdiam, de chapéu de coco,
Dizendo-se de olhar rebelde e louco,
Artistas despedidos, desgraçados.
Muitos! E um bêbedo – Camões – que fora
Rico, e morreu a mendigar, zarolho
Com uma pala verde sobre um olho!
Tivera ovelhas, bois, mulher. Lavoura.

Os Lusíadas, primeiro dos grandes textos fundadores da Literatura Portuguesa, está presente na poesia de Cesário Verde, sobretudo em “O sentimento dum ocidental”. A poesia de Cesário é uma continuidade da obra do épico lusíada; um texto que se lê como a escrita do homem português que não partiu da “ocidental praia lusitana” e para quem pouco valeram os assombros e as riquezas das conquistas.

Para essa leitura da obra poética de Cesário Verde como continuidade da obra poética de Camões de muito valeu ter em mente a diferença que Blanchot estabelece entre a significação de livro e obra:

O escritor escreve um livro mas o livro ainda não é a obra, a obra só é obra quando através dela se pronuncia, na violência de um começo que lhe é próprio, a palavra ser, evento que se concretiza, quando a obra é a intimidade de alguém que a escreve e de alguém que a lê.[28]

Nesse sentido, como diz ainda o mesmo Blanchot, a obra é interminável, uma vez que sempre se oferece às mil possibilidades de leitura (e de intimidade entre autor e leitor) que ela oferece, ou vontando a Barthes,[29]“todo texto é escrito eternamente aqui e agora” para tornar-se obra. Assim, crê-se ter sido suficientemente (?) justificado o acréscimo feito ao texto de Eduardo Lourenço30 com que se iniciou este trabalho. Poder-se-ia terminá-lo afirmando-se que não só existe um Camões de Cesário Verde, mas também que o poeta de “O sentimento dum ocidental” participa da interminável tarefa de elaboração da obra de Camões.

Cesário foi um dos leitores de Camões que mais colaboraram para que o livro que foi salvo a nado se fizesse obra.

 

7. Bibliografia

BARTHES, Roland. O rumor da língua. Lisboa: Edições 70, 1984.
BAUDELAIRE, Charles. Les fleurs du mal. Paris: Aux éditions de Cluny, 1936.
BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. Rio de Janeiro: 1987.
CAMÕES, Luís de. Obras completas. vol. IV 1) Os Lusíadas. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1947.
______. Os Lusíadas. Com privilégio real. Impresso em Lisboa, ... em casa de Antônio Gõçalves Impressor, 1572.
FIGUEIREDO, Antônio de. “Camões e o expansionismo europeu” in Estudos sobre Camões... Lisboa: Imprensa Oficial – Casa da Moeda, 1981.
LAGARDE, André e MICHARD, Laurent. XVII Siècle. Les grands auteurs français. Paris: Bordas, 1956-7.
LOURENÇO, Eduardo. O labirinto da saudade. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988.
MENEGAZ, Ronaldo. Vocabulário da Miscelânea de Garcia Resende. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1994.
OLIVEIRA MARQUES, A H. de. História de Portugal. Lisboa: Palas Editores, 1984.
QUEIRÓS, José Maria Eça de. Correspondência. Lisboa: Lello & Irmãos-Editores, 1951.
SÉRGIO, Antônio. Em torno das idéias políticas de Camões. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1977.
STORCK, Wilhelm. Vida e obras de Camões. Primeira Parte [...] Lisboa: Academia Real das Sciencias, MDCCCXCVIII [1988]
VERDE, Cesário. Todos os poemas. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1988 p. 122

 

Notas

  • 1 LOURENÇO, Eduardo. O Labirinto da Saudade: Psicanálise Mítica do Destino Português. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p.122.
  • 2 CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. Com privilégio real. Impresso em Lisboa […] em casa de Antonio Gonçalvez, impressor, 1572. Canto V, 84.
  • 3 CAMÕES, 1572. Canto IV, 97.
  • 4 VERDE, Cesário. Todos os poemas. Organização, introdução e bibliografia de Jorge Fernandes da Silveira. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995, p.116.
  • 5 STORCK, Wilhelm. Vida e obras de Luís de Camões. Primeira Parte. Versão do original alemão anotada por Carolina Michaëlis de Vasconcellos. Lisboa: Academia Real das Sciencias. MDCCCXCVVIII [1898]. p. 598.
  • 6 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de. História de Portugal. Lisboa: Palas Editores, 1984. v. II. p. 150-1.
  • 7 SÉRGIO, António. Em torno das idéias políticas de Camões seguido de Camões panfletário. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1977. (Edição extraída de Ensaios, tomo IV, obras completas de Antônio Sérgio)
  • 8 SERGIO (1997) p.35.
  • 9 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de. História de Portugal. Lisboa: Palas Editores, 1986, v. III. p. 266.
  • 10 Ver 9.
  • 11 QUEIRÓS, José Maria Eça de. Correspondência. Lisboa: Lello & Irmãos, 1951. p. 52.
  • 12 LOURENÇO (1988) p. 129-37;
  • 13 CESÁRIO (1995) p.90-2.
  • 14 CAMÕES, Luís de. Obras completas. vol.IV (I) Os Lusíadas.. Lisboa: Livraria Sá da Costa. 1947, p.2.
  • 15 MENEGAZ, Ronaldo. Vocabulário da Miscelânea de Garcia de Resende. Rio de Janeiro: Fundação Bibliotecas Nacional, 1994. O texto da edição fac-similada recebeu para este estudo uma leitura moderna.
  • 16 FIGUEIREDO, Antônio de. “Camões e o expansionismo europeu” in Estudos sobre Camões.... Lisboa: Imprensa Oficial-Casa da Moeda, 1981, p.51-7.
  • 17 LAGARDE, André e MICHARD, Laurent. XVII Siècle. Les grands auteurs français.. [Pascal]. Paris: Bordas, 1956-7, p.157.
  • 18 LOURENÇO (1988) p. 129-37.
  • 19 BARTHES, Roland. O rumor da língua. Lisboa: Edições 70, 1984. p. 51.
  • 20 CAMÕES. Os Lusíadas. C. IV, 90.
  • 21 C.I. 32
  • 22 BARTHES (1984) p. 51-2.
  • 23 BAUDELAIRE, Charles. Les fleurs du mal. Paris: Aux éditions de Cluny, 1936, p.57.
  • 24 LOURENÇO (1988) p.124.
  • 25 LOURENÇO (1988) p.125.
  • 26 CAMÕES. Os Lusíadas C.IV, 90
  • 27 CESÁRIO (1955) p.7.
  • 28 BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. Rio de Janeiro: Rocco, 1987. p.13.
  • 29 BARTHES (1984) p.23.
  • 30 LOURENÇO (1988) p.122.

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